Portugueses de bem.

Adolfo Mesquita Nunes escreveu o seguinte post no FB a propósito dos “Portugueses de bem”:

«Portugueses de bem» é a nova expressão da nova direita.

Há portugueses que são de bem e os que não são de bem, portanto. Uns superiores aos outros, com mais estatuto do que os outros (com mais direitos do que os outros, ou para que é que essa distinção serve politicamente?).

Porque te importas, perguntam-me os que dizem que isso dos portugueses que não são de bem se refere apenas a pedófilos e assassinos – e quem é que pode achar bem a pedofilia e o homicídio? Começa sempre assim, está nos livros e na História; começa sempre sempre sempre assim: primeiro uma categoria tida consensualmente por abjecta, que depois se vai alargando aos desalinhados até que a coisa rapidamente chega aos que não se conformam com a ideia de tranquilidade pública e paz social definida pelo regime.

Não é o José Castelo Branco que vai deixar de ter condições de viver em Portugal, como promete Ventura? Isso é o quê, afinal? Que ameaça é essa? E que risinhos são esses quando ela é proferida? Nunca ninguém define o que é isso de portugueses de bem precisamente porque essa categoria é uma ameaça, uma ameaça do poder, um põe-te fino ou ainda te classificamos como não sendo de bem.

Lá está ele a defender os pedófilos, aparecem logo aos saltinhos, a imitar trejeitos efeminados enquanto juram que são pela tolerância e pela compaixão desde que a pessoa se porte bem. Não lhes ocorre que essa conversa dos portugueses de bem nada tem que ver com crimes (passa pela cabeça não condenar a pedofilia? Está algum partido a defender a despenalização da pedofilia?)? Não lhes ocorre o poder que pretendem atribuir ao Estado? O problema disto é o de sempre, e é triste ver pessoas que andam com o credo na boca e a Doutrina Social da Igreja no discurso a alinhar na coisa, esquecendo aliás que a caridade é a via mestra da Doutrina Social da Igreja: a partir do momento em que damos ao Estado, a um líder iluminado que diz que fala com Deus ou que Deus fala com ele, o poder de definir quem é que é de bem ou não é bem, acaba-se a liberdade e a igualdade. E não só: frustra-se o compromisso de realizar o “desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens”. Todos, leram bem, não apenas de alguns. E antes que venham com a conversa de fazer jeitinhos à esquerda, deixo o desafio: querem conceder esse poder a António Costa e aos seus parceiros de esquerda? Não, pois não? Pois é exactamente isso que fazem ao reconhecer que cabe a um político fazer essa triste definição de portugueses de bem.

Pensando bem, fofinha fofinha é essa ideia de ter um político a mandar em nós. Eu dispenso.

Adolfo Mesquita Nunes

Assino por baixo!

Obrigado Adolfo Mesquita Nunes.

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