É preciso levar a covid-19 a sério

Esta cronica foi escrita há vinte dias mas é como se tivesse sido escrita hoje com uma diferença: Ultrapassámos já os mil casos diários de infecção.

Agora, tal como no início da pandemia, há meio ano, continua a haver quem pense que a ameaça que a doença covid-19 representa não é para levar a sério. É certo que muitos já acordaram para a realidade, quantos deles por más razões, mas tantos outros mantêm comportamentos de alto risco e que, com pouca sorte, acabarão por facilitar a transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Não faltam situações reais no dia a dia:

Exemplo 1: Visita ministerial a um concelho, com cerimónias e revista de obras com pouco distanciamento, mas com máscara. A seguir, almoço. Três mesas redondas cheias e distâncias pré-pandemia entre comensais. A proteção facial estava dispensada por motivos óbvios.

Exemplo 2: Apresentação de um evento. Sala com cadeiras separadas e participantes com máscara. A seguir, jantar volante. Um espaço amplo, mas pelo comportamento ninguém diria que vivemos tempos diferentes.

Exemplo 3: Um grupo de uma boa dezena de jovens entra num café. Sem máscara. Todos juntos vão ocupar duas mesas. Funcionária alerta para a falta, mas pela reação é como se não existisse.

Haveria aqui pano para mangas. E para fazer refletir. Agosto foi como que uma bolha onde todos vivemos mais ou menos otimistas em relação ao futuro. Escreveu-se muito sobre os avanços no desenvolvimento das vacinas que nos poderão livrar deste tormento. Houve esperança. Muita. Mas em setembro houve travagens a fundo e deu para perceber que as previsões dos epidemiologistas e demais especialistas nesta área (vacina, provavelmente, só em meados de 2021) são para ter em conta.

Ora, os números das novas infeções nas últimas semanas (mais cinco mortes e 463 casos de covid-19, esta terça-feira) trouxeram-nos à terra e o que não volta a faltar é pessimismo. Não só em relação à pandemia, mas ao impacto dela na vida de todos nós. E como o Governo descarta o regresso ao passado recente, em que o país parou, então é melhor que cada um faça a sua parte na luta contra a covid-19. Pela sobrevivência e pela manutenção de uma vida condigna. Nem que nos obriguemos a andar de máscara em todo lado, desde que na presença de mais pessoas, antes que nos seja imposta.

É que o cenário não é animador e todos os dias são noticiadas novas situações de serviços que param por causa de novos casos de infeção. Esta terça-feira, ficou a saber-se que cerca de 80 crianças da creche e do ATL Vila Gerações, da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez, estão em casa depois de uma funcionária ter testado positivo para a covid-19. Também deram positivo os testes feitos a 14 pescadores da Póvoa de Varzim e Vila do Conde que operavam em duas embarcações.

Entretanto, a fábrica Mendes Gonçalves, que é só o maior empregador no concelho da Golegã, distrito de Santarém, encerrou esta terça-feira as instalações depois de 11 dos 348 funcionários terem testado positivo à covid-19.

A situação epidemiológica em Portugal pode ser consultada aqui.

Eduardo Pinto no JN

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